Opinião: O Teatro das Assinaturas e a “Politiquice” de Higino CarneiroA disputa pela liderança política de qualquer organização exige responsabilidade, transparência e respeito pelos militantes. Contudo, os acontecimentos recentes em torno da alegada candidatura de Higino Carneiro à sucessão da liderança do MPLA levantam sérias questões sobre a forma como alguns actores políticos encaram o exercício da democracia interna. Durante vários dias, a opinião pública foi confrontada com versões contraditórias sobre o alegado desaparecimento das assinaturas de apoio à candidatura. Primeiro, falou-se de um suposto roubo ocorrido na província do Moxico. Mais tarde, a narrativa mudou para Malanje. As explicações sucederam-se, mas nenhuma conseguiu apresentar provas consistentes que sustentassem as acusações. Entretanto, imagens divulgadas posteriormente vieram lançar novas dúvidas sobre toda a história. Os documentos alegadamente desaparecidos terão permanecido no interior da própria viatura que integrava a comitiva encarregue da recolha de assinaturas, desmontando assim a narrativa de sabotagem ou perseguição política que se tentou fazer passar junto da opinião pública. A situação torna-se ainda mais embaraçosa quando se observa a aparente falta de coordenação do processo. Num momento em que seria expectável uma intensa mobilização política para garantir os requisitos necessários à formalização de uma candidatura, surgem imagens de Higino Carneiro dedicado a actividades agrícolas, nomeadamente à colheita de café, enquanto os seus apoiantes denunciavam publicamente alegados obstáculos à recolha de assinaturas. Naturalmente, qualquer cidadão tem o direito de se dedicar às suas actividades privadas. Contudo, quem pretende assumir responsabilidades de liderança ao mais alto nível deve demonstrar capacidade de organização, disciplina e sentido de prioridade. A política não pode ser substituída por encenações nem por discursos de vitimização destinados a esconder fragilidades internas. A democracia fortalece-se através da verdade. Quando faltam argumentos sólidos, alguns recorrem à construção de narrativas de perseguição para justificar falhas próprias. Essa prática não contribui para o debate político nem para o fortalecimento das instituições partidárias. Os militantes e os cidadãos merecem mais. Merecem processos transparentes, candidatos preparados e debates assentes em propostas concretas para o futuro. O recurso à desinformação e à dramatização apenas fragiliza a credibilidade de quem pretende liderar. A política exige seriedade. Para a politiquice, cada vez resta menos espaço numa sociedade que procura respostas reais para os seus desafios. Por : António Garcia
MPLA: A Verdade por Trás do Suposto “Desaparecimento” das Assinaturas de Higino Carneiro