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Luanda 15:26

Edifício do Luanda Medical Center (LMC) e as ligações ao grupo de Minoru Dondo

Documentos revelam como o INSS drenou mais de 45 milhões de dólares dos fundos de pensões dos trabalhadores para financiar 11 andares de uma estrutura de saúde privada em Luanda. O cenário dos grandes investimentos em Angola revela um padrão sistemático: a utilização de fundos públicos para erguer empreendimentos de exploração ou benefício privado. O caso do Luanda Medical Center (LMC) um centro médico privado de referência instalado num imponente edifício de 16 andares na Rua Amílcar Cabral, n.º 3, em Luanda é um exemplo flagrante desta engrenagem financeira. De forma direta, foi o dinheiro dos contribuintes, canalizado através do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), que pagou pela construção do imóvel. Atualmente, o INSS detém a propriedade de 11 dos 16 andares do edifício, funcionando como o grande fiador financeiro da infraestrutura. A Anatomia dos Pagamentos: Milhões Desviados em Contratos Promessa Até à data, auditorias e investigações identificaram o pagamento total de 45,7 milhões de dólares por parte do INSS para a aquisição de apenas nove dos andares. O histórico desta transação milionária detalha um fluxo de capital altamente questionável:O Início do Esquema (2009): A operação financeira arrancou a 16 de Novembro de 2009, com a assinatura do primeiro contrato promessa de compra e venda de andares entre o INSS e a empresa Investe Grupo, pertencente ao empresário Minoru Dondo.Aquisição sem Especificação: Através deste contrato inicial, o INSS adquiriu dois andares que nem sequer foram especificados no documento pelo valor de 10,2 milhões de dólares. Adiantamentos Suspeitos: Num modelo de gestão prejudicial ao Estado, o INSS desembolsou imediatamente 8,2 milhões de dólares (80% do valor total da transação) logo após a assinatura do contrato, sob a justificação de “sinal e início de pagamento”, sendo o valor remanescente liquidado apenas na data de entrega física dos pisos.Análise Crítica: O Saque aos Cofres do INSS contra o Interesse Público”A utilização do fundo de pensões dos trabalhadores angolanos para capitalizar negócios imobiliários privados configura um grave desvio de finalidade do dinheiro público. “Este modelo de negócio expõe como os recursos que deveriam garantir a reforma, a assistência social e a segurança dos trabalhadores angolanos foram sistematicamente capturados para sobrefaturar projetos imobiliários de elite. Enquanto o cidadão comum enfrenta a degradação do sistema público de saúde, os cofres do Estado foram utilizados para subsidiar uma das clínicas privadas mais caras da capital, enriquecendo intermediários e descapitalizando o erário público.

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