Genebra — O Presidente dos Camarões, Paul Biya, encontra-se na Suíça desde o início de junho, onde recebe acompanhamento médico numa clínica privada em Genebra. A deslocação, inicialmente apresentada como uma visita privada, acabou por reunir vários membros da sua família e colaboradores próximos, reforçando as especulações sobre o estado de saúde do chefe de Estado, que governa o país desde 1982.
Paul Biya, de 93 anos, deixou Yaoundé no dia 7 de junho, acompanhado pela primeira-dama, Chantal Biya. Antes de chegar a Genebra, o casal presidencial passou pelo Mónaco e pela cidade francesa de Évian-les-Bains, mantendo o habitual percurso seguido durante as suas deslocações privadas à Europa.
Segundo diversas fontes próximas da Presidência camaronesa, além da delegação oficial, vários familiares e pessoas do círculo mais íntimo do Presidente viajaram igualmente para a Suíça. A presença de membros da família, pouco habituados a acompanhar estas deslocações, despertou atenção tanto nos meios políticos como na imprensa internacional.
Longa tradição de estadias na Suíça
A Suíça tornou-se, ao longo dos anos, um destino frequente de Paul Biya. O Presidente é conhecido por passar períodos prolongados em hotéis de luxo e clínicas privadas de Genebra, o que tem gerado críticas da oposição e de organizações da sociedade civil, que consideram excessivos os custos dessas viagens, suportados pelo Estado camaronês.
Apesar das críticas, o Governo dos Camarões insiste que as deslocações fazem parte da agenda privada do chefe de Estado e garante que as instituições continuam a funcionar normalmente durante a sua ausência.
Saúde volta ao centro das atenções
A idade avançada de Paul Biya e a escassez de informações oficiais sobre o seu estado de saúde alimentam regularmente rumores sobre uma eventual sucessão política. Nos últimos anos, o Presidente reduziu significativamente as suas aparições públicas e delegou parte das atividades protocolares a altos responsáveis do Governo.
Embora as autoridades camaronesas afirmem que o Presidente continua plenamente capaz de exercer as suas funções, a falta de transparência sobre o seu estado clínico continua a suscitar dúvidas dentro e fora do país.
Debate sobre a sucessão
A prolongada permanência do Presidente na Suíça reacendeu o debate sobre o futuro político dos Camarões. Diversos analistas consideram que o país enfrenta um momento decisivo, sobretudo devido à idade do chefe de Estado e aos desafios económicos, sociais e de segurança que o país enfrenta, incluindo a insurgência do Boko Haram no norte e a crise nas regiões anglófonas.
A oposição continua a defender reformas institucionais e maior transparência sobre a capacidade física do Presidente para governar, enquanto o partido no poder mantém o seu apoio a Paul Biya e rejeita qualquer cenário de transição antecipada.
Continuidade institucional
Até ao momento, a Presidência dos Camarões não anunciou qualquer alteração na agenda oficial nem indicou uma data para o regresso de Paul Biya ao país. Fontes oficiais reiteram que o Presidente continua a acompanhar os principais dossiers nacionais durante a sua permanência na Europa.
A estadia em Genebra confirma, mais uma vez, a forte ligação do chefe de Estado camaronês à Suíça, país que há décadas serve de destino privilegiado para os seus períodos de descanso e acompanhamento médico.