50 Milhões de Euros para o Corredor do Lobito: Mais um Acordo Sem Rosto e Sem Fiscalização aos 50 Anos de Independência?
A assinatura de um novo acordo de financiamento entre o Ministério do Planeamento de Angola e a União Europeia, no valor de 50 milhões de euros, é apresentada pela propaganda oficial como um “balão de oxigénio” para o setor agroalimentar no Corredor do Lobito. Contudo, para quem acompanha a história de Angola desde 1975, a questão permanece: onde vai parar o dinheiro?
O AGRINVEST e o Corredor do Lobito: Realidade ou Miragem?
O projeto AGRINVEST foca-se nas províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico. Promete capacitação técnica, infraestruturas logísticas e acesso ao financiamento. No papel, o plano parece perfeito. Na prática, o histórico de gestão pública em Angola revela uma “hemorragia” financeira onde as elites governantes são as principais beneficiárias das parcerias com fazendas âncora, enquanto o camponês local continua sem sementes, sem transporte e sem mercado.
A Inércia Internacional e os 50 Anos de Independência
Desde a independência em 1975, biliões de euros foram despejados em Angola através de agências de desenvolvimento. A falta de mecanismos de auditoria independentes e a cumplicidade de parceiros internacionais permitem que o sistema político continue a concentrar riqueza. Este novo acordo de 50 milhões, com duração de seis anos, corre o risco de se tornar apenas mais uma estatística de “cooperação delegada” que não altera a vida de quem mais precisa.