UNITA fardada no Sumbe: Brigada de Intervenção Política ou Recriação das FALA?
SUMBE, 29/03/2026 – Imagens que circulam intensamente nas redes sociais, captadas durante uma atividade partidária da UNITA na cidade do Sumbe, província do Cuanza Sul, estão a gerar um aceso debate sobre os limites da atuação das formações políticas em Angola. Os registos mostram dezenas de jovens militantes, integrados na estrutura que a UNITA denomina como “brigada de intervenção política”, ostentando um fardamento completo de cor verde-tropa e boinas vermelhas.
A presença desta estrutura organizada, com uma estética visual que evoca o rigor militar, levou diversos observadores e cidadãos a questionarem a “normalidade” de tal exibição num contexto de paz e normalidade democrática. Nas redes sociais, as reações dividem-se: enquanto alguns militantes defendem a estrutura como uma forma de organização e disciplina da juventude partidária, outros levantam sérias preocupações. A questão central que ecoa é se esta brigada, pelo seu aspeto, não estaria a tentar recriar, de forma simbólica, as antigas FALA (Forças Armadas de Libertação de Angola), o braço armado da UNITA durante a guerra civil.
O debate ganha relevância num país que ainda cicatriza as feridas do conflito e onde a desmilitarização do discurso e da ação política é vista como fundamental para a consolidação da democracia. A Constituição e a Lei dos Partidos Políticos em Angola proíbem a existência de organizações paramilitares ou militarizadas ligadas a forças políticas.
Fica agora a expectativa sobre a reação das autoridades estatais competentes face a estas imagens e também sobre a clarificação da própria direção da UNITA quanto à “ideia” e objetivos desta brigada fardada.