Antigo primeiro-ministro de Angola questiona silêncio de estação televisiva e denuncia clima de medo
EDITORIAL DESDE 75
LUANDA | O antigo primeiro-ministro angolano, Marcolino Moco, denunciou publicamente o que considera ser um caso preocupante de ocultação mediática e possível tentativa de intimidação, após uma entrevista concedida a uma televisão portuguesa nunca ter sido divulgada.
Segundo Moco, a entrevista, realizada com destaque e urgência no contexto dos 50 anos da independência de Angola, permanece inédita desde novembro do ano passado, sem qualquer explicação por parte da estação, que entretanto terá deixado de responder aos seus contactos.
O ex-governante afirma que a situação levanta dúvidas, sobretudo devido ao teor das últimas perguntas colocadas durante a entrevista, que abordavam um eventual apoio à UNITA nas eleições de 2027, alegada vigilância por serviços secretos angolanos e o risco de sofrer atentados devido à sua visibilidade pública.
Nas suas declarações, Moco sugere que o episódio pode configurar uma estratégia de “instilação de medo”, alegadamente com origem externa, apontando para uma possível tentativa de amplificar pressões psicológicas sobre figuras críticas ao sistema político.
O antigo primeiro-ministro reforça que tem sido alvo de ameaças, ainda que muitas vezes de forma indireta, devido às suas posições contra o que descreve como um modelo de exclusão política em Angola. Apesar disso, garante manter a sua postura crítica e o compromisso com a defesa de maior transparência e inclusão no processo democrático.
Até ao momento, a estação televisiva mencionada não comentou o caso, deixando em aberto as razões para a não transmissão da entrevista.