O Império da Dívida: A Ascensão e as Polémicas de Silvestre Tulumba
De motorista de táxi na Huíla a um dos maiores devedores do sistema bancário angolano, a trajetória de Silvestre Tulumba Tyihongo Kapose é o retrato das complexas relações entre o empresariado e a elite política no consulado de João Lourenço.
A Mão de Ferro e o Apadrinhamento
Nascido em 1981, Tulumba viu sua sorte mudar em 2002. Pela mão do então ministro da Defesa Nacional, o falecido general Kundi Paihama, ele expandiu negócios de importação de viaturas para o Estado, infiltrando-se nos ministérios onde a influência militar era absoluta.
Fontes indicam que os interesses de Tulumba e Paihama fundiam-se em um labirinto corporativo que incluía desde fazendas até o agora falido BANC e a construtora Imosul.
Controvérsias Transnacionais
A atividade de Tulumba enfrenta uma série de litígios internacionais que mancham a sua reputação nos mercados externos:
- Estados Unidos: Litígio judicial por quebra de contrato num negócio de aeronaves.
- Portugal: Investigação pelo DIAP de Lisboa por incumprimento salarial na Imosul.
- Angola: O peso de sua dívida contribuiu para o sufoco de um sistema financeiro com 17% de crédito mal-parado em relação ao PIB.
O Contraste da Ostentação
Enquanto o sistema financeiro lida com o “buraco” milionário deixado por suas empresas, Tulumba e sua família exibem um estilo de vida de luxo desafiador. A frota inclui superdesportivos como McLaren e Bentley Bentayga em Lisboa, além do uso constante de um jato privado Falcon.
Proteção Política e Impunidade
Apesar das críticas, Tulumba mantém-se protegido pela estrutura do MPLA, personificando o desafio do governo em cobrar dívidas das elites sem afetar o apoio político.
| Ativo / Empresa | Situação Atual | Jurisdição |
|---|---|---|
| BPC & BANC | Incumprimento Crítico | Angola |
| Imosul Construtora | Investigação (DIAP) | Portugal |
| Frota de Luxo | Ativo (Uso Privado) | Internacional |