Luanda – A Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE) deu luz verde a uma investigação profunda nas contas da Rádio Nacional de Angola (RNA). O Despacho n.º 031/IGAE/26, ao qual a nossa redação teve acesso, instaura uma inspeção de caráter especial para apurar denúncias gravíssimas de desvios de fundos e má gestão que atingem o topo da estrutura política angolana.
O Fio da Meada: De Luanda ao Ministério do Interior
As denúncias, que já haviam sido encaminhadas ao Presidente da República, João Lourenço, apontam para um esquema de “saque” institucionalizado que atravessa diferentes gestões. O nome de Manuel Homem, atual Ministro do Interior e antigo Governador de Luanda, surge conectado ao processo, juntamente com o de Mário Oliveira, Ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.
Segundo fontes próximas ao processo, a inspeção focar-se-á em:
- Contratos sob suspeita: Verificação de prestação de serviços com sobrefaturação.
- Desvios de verbas: Fundos destinados à modernização da rádio que teriam tido destinos incertos.
- Gestão de ativos: Irregularidades já sinalizadas anteriormente pelo IGAPE que nunca foram sanadas.
A Comissão de Inquérito
O Inspector Geral, Dr. João Manuel Francisco, nomeou uma equipa de especialistas liderada por Petruska Ribeiro para auditar a RNA num prazo de 30 dias. O objetivo é claro: identificar os responsáveis diretos pelas falhas na prestação de contas que têm sangrado os cofres da maior estação emissora do país.
O Silêncio dos Visados
Apesar da gravidade das acusações e da existência de documentos que comprovam alertas feitos por auditores externos, o silêncio tem sido a resposta oficial. Nem o Ministério do Interior, sob tutela de Manuel Homem, nem a Presidência da República emitiram até agora qualquer esclarecimento sobre o porquê de estas irregularidades terem persistido durante tanto tempo sem travão institucional.
Pressão Social e Política
Grupos da sociedade civil e deputados da oposição já tinham solicitado sindicâncias formais sobre a gestão da RNA. Para muitos analistas, esta ação da IGAE é um teste de fogo à credibilidade do discurso de combate à corrupção em Angola, especialmente por envolver figuras que gozam da extrema confiança do Palácio da Cidade Alta.