Apesar do anúncio oficial do arranque do Programa de Alimentação Escolar no município do Cuchi, em Angola, a realidade vivida nas escolas está longe do cenário apresentado. Crescem denúncias preocupantes por parte de encarregados de educação, professores e membros da comunidade, que relatam condições alarmantes na qualidade da merenda servida às crianças.
Segundo os relatos, a alimentação distribuída é considerada miserável, insuficiente e sem qualquer equilíbrio nutricional. As refeições, muitas vezes compostas apenas por pequenas porções de comida básica, não incluem itens essenciais como leite, sumo ou frutas, fundamentais para o crescimento saudável das crianças. A ausência desses alimentos levanta sérias dúvidas sobre a eficácia e a seriedade do programa implementado no país.
Além da má qualidade da comida, outro problema grave é a falta de água potável nas escolas. Crianças são obrigadas a alimentar-se sem acesso a água para beber, numa clara violação das condições mínimas de dignidade e saúde. Em alguns casos, nem sequer há água para lavar as mãos antes das refeições, expondo os alunos a riscos elevados de doenças.
Esta situação é ainda mais preocupante quando se considera que muitas destas crianças dependem da merenda escolar como a principal refeição do dia. Servir alimentos de baixa qualidade, sem nutrientes adequados e sem acompanhamento de bebidas essenciais, é comprometer diretamente o desenvolvimento físico, mental e o rendimento escolar dos alunos.
Especialistas em nutrição alertam que uma alimentação escolar adequada deve incluir diversidade alimentar, com presença de proteínas, vitaminas e minerais — algo que claramente não está a ser garantido. A ausência de frutas, leite e sumos demonstra falhas graves na execução do programa e possível negligência na gestão dos recursos destinados a este fim em Angola.
Perante este cenário, a comunidade exige uma intervenção urgente das autoridades angolanas, com fiscalização rigorosa, responsabilização dos envolvidos e implementação de medidas concretas que garantam:
Alimentação digna e nutritiva
Distribuição de água potável
Inclusão de leite, sumos e frutas nas refeições
Condições mínimas de higiene nas escolas
O futuro das crianças do Cuchi, em Angola, não pode ser negligenciado. Um programa criado para combater a fome não pode, de forma alguma, transformar-se num símbolo de abandono e descaso.
As crianças angolanas merecem respeito, dignidade e uma alimentação à altura das suas necessidades. O silêncio diante desta realidade é cumplicidade
O RETRATO DO ABANDONO NO CUCHI
Enquanto discursos políticos falam em progresso, a realidade nas escolas do Cuchi, em Angola, é de extrema precariedade. Crianças são submetidas a uma merenda miserável e, o que é mais grave, não há água potável disponível para os alunos.
Até quando a gestão pública ignorará a dignidade das nossas crianças?
Por : Antonio Garcia Diretor-Chefe e Jornalista Investigativo