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Luanda 16:41

Trabalhadores da Sociedade de Gestão de Aeroportos denunciam má gestão de Nérica Pita-Grós, favoritismo e práticas discriminatórias

Trabalhadores da Sociedade de Gestão de Aeroportos denunciam má gestão de Nérica Pita-Grós, favoritismo e práticas discriminatórias
Investigação

NOVO AEROPORTO AGOSTINHO NETO: Trabalhadores da Sociedade de Gestão de Aeroportos denunciam má gestão de Nérica Pita-Grós, favoritismo e práticas discriminatórias

Carta dirigida à nova presidente expõe clima interno de desconfiança, denúncias de favorecimento, alegações de discriminação e forte contestação à atual condução administrativa da SGA.

Uma carta atribuída aos trabalhadores da Sociedade de Gestão de Aeroportos (SGA) expõe um ambiente interno de profunda insatisfação, desconfiança e denúncias graves relacionadas à atual condução da instituição. O documento, dirigido à recém-nomeada presidente do conselho executivo, Nérica Pita-Grós, descreve um conjunto de acusações que vão desde alegada má gestão até práticas classificadas pelos próprios trabalhadores como discriminatórias.

O documento, datado de 24 de março de 2026, surge num momento particularmente sensível para a gestão aeroportuária angolana, numa fase em que se esperava estabilidade, modernização e valorização do capital humano interno. Em vez disso, a carta denuncia um cenário de tensão e forte deterioração da confiança entre trabalhadores e liderança.

Desconfiança desde a nomeação

Logo nas primeiras páginas, os trabalhadores deixam claro que a chegada da nova presidente não foi recebida com entusiasmo. Pelo contrário, a missiva manifesta “um justo ceticismo”, argumentando que Nérica Pita-Grós integra o conselho cessante e que, por isso, estaria associada à gestão anterior, vista no documento como uma fase negativa para a empresa.

A carta sustenta que a nova liderança terá agora a responsabilidade de provar, na prática, se pretende reconstruir a confiança interna ou prolongar métodos que os trabalhadores consideram lesivos para a instituição.

Alegações de favoritismo e benefícios seletivos

Entre os pontos mais delicados do documento estão denúncias de favorecimento interno, incluindo a alegada atribuição de benefícios a pessoas próximas da liderança. Os trabalhadores mencionam a disponibilização de viaturas a determinadas funcionárias e apontam suspeitas quanto aos critérios usados para a concessão desses privilégios.

O texto também questiona a permanência e a proteção de figuras ligadas à gestão cessante, sugerindo um ambiente de continuidade de práticas internas consideradas injustas e pouco transparentes.

Contratações contestadas

A carta aponta ainda para a contratação de uma cidadã estrangeira em condições consideradas controversas pelos trabalhadores. Segundo o documento, essa admissão teria ocorrido sem concurso público e com remuneração elevada, o que ampliou o sentimento de revolta interna e a percepção de desigualdade no tratamento entre quadros da empresa.

Para os signatários, este tipo de decisão reforça a ideia de que a instituição vem privilegiando redes de conveniência em detrimento do mérito, da legalidade procedimental e da valorização dos quadros nacionais formados internamente.

Denúncias de discriminação e racismo interno

Um dos trechos mais sensíveis do documento refere-se à acusação explícita de “racismo interno” na SGA. Os trabalhadores afirmam que técnicos nacionais e quadros internos têm sido sistematicamente desvalorizados, enquanto consultores externos e pessoas ligadas a círculos privilegiados seriam favorecidos no acesso a oportunidades e reconhecimento profissional.

A carta descreve um sentimento crescente de exclusão, marginalização e descrédito, alertando que a empresa precisa corrigir práticas contínuas de exclusão que, segundo os trabalhadores, se agravaram desde a cisão da antiga ENANA.

Para os autores da missiva, a crise já não é apenas administrativa: tornou-se uma questão de dignidade, reconhecimento profissional e respeito pelo capital humano da própria instituição.

Gestão criticada por ineficiência e distanciamento

A carta critica ainda o estilo de liderança, apontando reuniões longas e improdutivas, ausência de foco em resultados e um alegado distanciamento entre a administração e os trabalhadores. O documento sugere medidas concretas, como maior racionalização do tempo, implementação do teletrabalho e aposta numa gestão por metas.

Os trabalhadores defendem que a empresa deve privilegiar o conhecimento acumulado internamente, promover os seus técnicos e reconstruir relações profissionais com base na escuta, no respeito e na transparência.

Críticas à gestão anterior e alerta à nova presidente

O documento não poupa críticas à administração cessante, responsabilizando-a por práticas consideradas desumanas, arrogantes e lesivas ao funcionamento da SGA. Ao mesmo tempo, a carta funciona como um aviso direto à nova presidente: ou rompe com o passado e corrige os desvios apontados, ou poderá enfrentar o aprofundamento da crise interna.

Em vários momentos, os trabalhadores insistem que a nova liderança ainda tem a oportunidade de corrigir o rumo, mas sublinham que essa mudança não poderá ser apenas discursiva — terá de traduzir-se em atos concretos, imparciais e transparentes.

Conclusão

A carta dos trabalhadores da SGA projeta para a esfera pública uma crise interna de grande dimensão, marcada por denúncias de má gestão, favoritismo, alegadas práticas discriminatórias e forte desgaste institucional.

Num setor estratégico como o da gestão aeroportuária, as revelações contidas no documento colocam pressão direta sobre a nova presidente e levantam questões sérias sobre a capacidade da SGA de restaurar credibilidade, estabilidade interna e justiça organizacional.

O desafio agora é claro: ou a liderança responde com transparência, correção e reformas concretas, ou o descontentamento poderá transformar-se numa crise ainda mais profunda dentro da principal estrutura de gestão aeroportuária do país.

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