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Luanda 20:29

A “Visita de Constatação” como Instrumento de Asfixia e Controlo Dos Jornalistas em Cabinda

A "Visita de Constatação" como Instrumento de Asfixia e Controlo Dos Jornalistas em Cabinda
Análise Política | Media Watch
SUPER PREMIUM Análise Política | Media Watch
Investigação Especial

A “Visita de Constatação” como Instrumento de Asfixia e Controlo

O recente ciclo de visitas da Governadora Suzana Abreu aos órgãos de comunicação em Cabinda levanta questões sobre dependência institucional e liberdade editorial.
Antonio Garcia
Editor-Chefe & Investigação Especial

O recente “ciclo de visitas” da Governadora Suzana Abreu aos órgãos de comunicação em Cabinda não deve ser lido como um gesto de benevolência, mas sim como a confirmação de uma falência planeada para garantir a domesticação do pensamento.

O regime de Angola continua a utilizar a precariedade técnica como uma coleira para manter a média sob o seu domínio absoluto. Sob o pretexto de “apoiar a recuperação”, o que se testemunha em Cabinda é a manutenção da dependência umbilical dos órgãos de comunicação face ao poder executivo provincial.

1. A Estratégia da “Asfixia para a Salvação”

É profundamente irónico que o Governo se apresente agora como o “salvador” de infraestruturas que o próprio Estado deixou degradar deliberadamente.

Ao manter as rádios — tanto a estatal RNA como a teoricamente privada Rádio Comercial — num estado de dependência de um Posto de Transformação (PT) ou estabilizadores, o regime garante que estas instituições nunca alcancem a autonomia editorial.

O poder não precisa encerrar redações quando pode controlar a energia que as mantém vivas.

O Engolir da Mídia Privada

Ao estender a “mão protetora” à Rádio Comercial de Cabinda, o Governo Provincial apaga a linha que separa o jornalismo independente da propaganda oficial.

Quando um diretor privado classifica uma visita política como “fortalecimento da relação”, ele assina a rendição da sua isenção em troca de sobrevivência técnica.

2. Retórica do “Património” vs. Realidade do Descarte

A Governadora utiliza um discurso nostálgico, apelidando a RNA de “património lendário”, para mascarar o facto de Cabinda estar a ser propositadamente excluída da rota de modernização tecnológica.

Enquanto se fala em “devolver a mística”, os profissionais continuam sem meios de locomoção e sem condições básicas para exercer a profissão com dignidade.

Conclusão: O “Abraço do Urso”

Este apoio garantido é o “abraço do urso”: o regime percebeu que não precisa de fechar rádios se puder ser o seu único fornecedor de energia e reparador de antenas.

Em Cabinda, a comunicação social não está a ser recuperada; está a ser domesticada para que a voz do dono chegue ao interior sem interrupções elétricas.

Artigo assinado por Antonio Garcia.
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