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Luanda 20:33

A Sonangol e a Falência da Logística

Centenas de pessoas aguardam em longas filas para comprar botijas de gás de cozinha em Angola, simbolizando a crise de distribuição energética num país rico em petróleo e gás natural.
A Sonangol e a Falência da Logística
AGITA NEWS | INVESTIGAÇÃO ESPECIAL
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A Sonangol e a Falência da Logística

O Paradoxo do Gás: Entre Refinarias de “Papel” e o Calvário das Filas
Por Antonio Garcia

A imagem que se repete no município do Kilamba Kiaxi e em tantas outras paragens de Angola é o retrato de um Estado que falhou na gestão do básico. Ver centenas de angolanos em filas que dobram esquinas por uma botija de gás de cozinha, num país rico em recursos naturais, não é apenas um problema de distribuição; é um crime de má gestão e falta de transparência que tem um rosto principal: a Sonangol.

A Sonangol e a Falência da Logística

A petrolífera estatal, que deveria ser o motor do desenvolvimento, tornou-se o gargalo da sobrevivência. A crise do gás em Angola é o resultado directo de uma gestão que priorizou, durante décadas, o petróleo bruto para exportação e os dividendos de uma elite, em detrimento do investimento na rede de distribuição doméstica.

A Sonangol controla o monopólio e, consequentemente, é a única responsável pela incapacidade de manter os stocks regulados e os preços acessíveis ao cidadão que vive com pouco.

O Mistério da Refinaria de Cabinda

Vendida como a solução para a dependência das importações de derivados, a unidade foi palco de cerimónias de inauguração e discursos pomposos. No entanto, a realidade nas ruas desmente o optimismo estatal.

Se a refinaria está operacional, onde está o produto?

Entre atrasos técnicos e falta de infraestruturas complementares, Cabinda parece ser mais uma peça de propaganda do que uma unidade de produção real para o consumo interno.

Angola continua a gastar milhões de divisas a importar o que poderia produzir em casa, drenando as reservas financeiras do país por pura incompetência estratégica.

Má Gestão: Onde Está o Dinheiro do Petróleo?

A crise do gás é o sintoma visível de uma doença profunda: a má gestão dos recursos financeiros. Enquanto o preço do barril flutua e gera receitas astronómicas, o povo continua a cozinhar a carvão ou a esperar horas em filas desumanas.

O dinheiro que deveria ser investido na modernização da refinaria de Luanda e na conclusão efectiva das novas unidades — Cabinda, Soyo e Lobito — perde-se nos labirintos da burocracia e em investimentos de retorno duvidoso.

Conclusão: A Dignidade Não Pode Esperar

Não existe justificativa técnica que convença uma mãe de família no Kilamba Kiaxi do porquê de o gás faltar num país que exporta GNL para o mundo inteiro a partir do Soyo.

O que falta em Angola não é gás; é vergonha institucional e patriotismo na gestão do bem comum.

Até que a Sonangol deixe de ser uma “caixa preta” e as refinarias passem a produzir para o povo, e não para as estatísticas de propaganda, o angolano continuará a ser um mendigo sentado num trono de ouro.

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