Assimi Goïta designa o general Élisée Jean Dao para a liderança do exército maliano
Numa movimentação estratégica após o choque de 25 de abril, a junta maliana reorganiza o seu comando militar para fazer face à aliança sem precedentes entre rebeldes e jihadistas.
Os Factos
O chefe de Estado maliano nomeou Élisée Jean Dao para o cargo de chefe d’estado-maior das armadas, quarta-feira, 6 de maio. O oficial sucede ao general Oumar Diarra, de quem era adjunto desde outubro passado.
Diarra, por sua vez, foi nomeado ministro delegado junto ao Ministro da Defesa. Este movimento consolida o poder em torno de Goïta, que assumiu as prerrogativas da defesa após a morte de Sadio Camara num atentado em Kati.
O Contexto Estratégico
Aos 53 anos, o general Dao assume o comando num momento crítico. A perda simbólica de Kidal e a retirada estratégica das forças para Aguelhoc e Anéfis revelam a pressão exercida pela coligação FLA-JNIM.
No sul, o bloqueio a Bamako começa a asfixiar a capital. O porta-voz do estado-maior minimiza os factos como uma “tentativa global de desestabilização”, mas os analistas veem um “ajuste estratégico” forçado pela realidade no terreno.
Por que é importante
A fragilidade da junta ficou exposta. A retirada dos mercenários russos do Africa Corps de cidades do norte para defender Bamako criou fissuras na confiança entre as tropas malianas e os seus aliados externos.
A incapacidade dos serviços de inteligência em antecipar ataques coordenados em sete cidades simultaneamente levanta questões sobre a eficácia da Aliança dos Estados do Sahel (AES) e a cooperação com Moscovo.