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Luanda 23:46

O ESQUEMA DO GRUPO CARRINHO PARA TRANSFERIR DINHEIRO A PARAISOS FISCAIS

Por: Redação Makamavulo News A alienação silenciosa de 7,61% do capital social do Banco de Fomento de Angola (BFA) pelo Grupo Carrinho — através da sua subsidiária Congolian Financial — acendeu os alertas máximos das redes de investigação financeira. Sob a veste legal de uma transação validada pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), a transferência de 1,14 milhões de ações para os fundos fechados AXIOS e ASSET esconde, na verdade, uma das mais sofisticadas operações de engenharia financeira desenhadas para a fuga de divisas e branqueamento de capitais rumo a jurisdições offshore. A investigação do Makamavulo News desmonta o labirinto corporativo montado pelos irmãos Nelson Fidel Candundo Carrinho e Rui Alves Candundo Carrinho, demonstrando como um ativo estratégico nacional está a ser transformado em liquidez blindada no estrangeiro, longe do radar do Banco Nacional de Angola (BNA). O Mecanismo da Ilusão: A “Permuta em Espécie”O ponto de rutura com a normalidade de mercado reside na contrapartida da venda. A Congolian Financial não recebeu kwanzas nem divisas rastreáveis na sua conta bancária em Angola. A holding e os seus acionistas maioritários realizaram aquilo que a regulação designa por “entradas em espécie”: entregaram as ações físicas e nominais do BFA e, em troca, receberam Unidades de Participação (UP) nos fundos privados AXIOS (gerido pela Oluasi Investments) e ASSET (gerido pela Prospectum Capital SCVM, S.A.). A Red Flag do Compliance: Ao converter ações nominadas de um banco comercial em Unidades de Participação de fundos fechados de subscrição particular, os irmãos Carrinho ergueram uma muralha de opacidade. O património deixa de estar associado diretamente aos seus nomes nas atas do BFA, passando a figurar sob a gestão técnica de terceiros. Para diluir ainda mais a pegada regulatória, a transação envolveu a fragmentação de posições entre quadros intermédios da estrutura do Grupo Carrinho, nomeadamente Atandel Josua Dombolo Chivaca, Check Vladimir Patrice Pereira Ferraz e Cosete Neto (esta última com uma posição cirúrgica de 0,0005%). Esta técnica de atomização de lotes acionistas visa evitar os controlos automáticos de grandes movimentações patrimoniais por parte da Unidade de Informação Financeira (UIF).As Três Rotas para os Paraísos FiscaisEmbora a Prospectum Capital e a Oluasi Investments operem formalmente como empresas de direito angolano focadas no “fomento do Sistema Financeiro Nacional”, a sua arquitetura de negócios está desenhada com pontes transfronteiriços. Detemos evidências de que o perigo real de fuga de capitais se materializa através de três eixos fundamentais:

1. A Rota do Colateral Estrangeiro (Espanhol e Suíço)Esta é a fórmula clássica de branqueamento utilizada pelas elites financeiras. De posse de milhões de Unidades de Participação dos fundos AXIOS e ASSET, os irmãos Carrinho não precisam de exportar fisicamente dinheiro de Angola — o que violaria as restritivas regras cambiais.Estes títulos financeiros, que guardam o valor real das ações do BFA, são apresentados como garantia (colateral) junto de instituições bancárias privadas na Europa (com destaque para plataformas na Suíça, Portugal e Luxemburgo). Com base neste colateral, os bancos europeus emitem linhas de crédito diretas em Euros ou Dólares para contas tituladas por empresas de fachada (shell companies) detidas pelos empresários em paraísos fiscais. O património angolano foi, assim, integralmente convertido em liquidez externa convertível. 2. Contratos Transfronteiriços de Gestão e “Taxas de Dreno”Os regulamentos dos fundos fechados de subscrição particular permitem que as sociedades gestoras subcontratem prestadores de serviços internacionais. Sob o pretexto da “expertise internacional” e de “parcerias globais” ostentadas pela Prospectum e pela Oluasi, estes fundos celebram contratos de assessoria financeira, custódia e consultoria com entidades sediadas em jurisdições de opacidade fiscal. O pagamento destas taxas de gestão milionárias — faturadas em moeda estrangeira — funciona como um duto legalizado para esvaziar o rendimento gerado em Angola e injetá-lo diretamente em circuitos offshore. 3. A Captura e Desvio de Dividendos do BFAO BFA figura historicamente como uma das instituições mais lucrativas do ecossistema bancário nacional. No figurino anterior, os dividendos gerados pelas ações da Congolian Financial entravam diretamente na contabilidade nacional da holding. Com a nova estrutura, estes lucros robustos passam a ser canalizados para os cofres dos fundos AXIOS e ASSET. Uma vez dentro do fundo, a distribuição, reinvestimento ou exportação desses dividendos fica sob o controlo discreto das assembleias de participantes particulares, permitindo a sua internacionalização dissimulada.Silêncio Regulatório Coloca Angola em Risco A validação desta transferência pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC) ocorre num momento crítico em que o Estado angolano enfrenta um escrutínio internacional severo para evitar ou mitigar os impactos da sua inclusão na “lista cinzenta” do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI). Ao permitir que o controlo acionista de uma fatia substancial do BFA seja diluído num esquema de vasos comunicantes que aponta para o exterior, as autoridades de supervisão falham no princípio básico da verificação do Beneficiário Efetivo Último (UBO). O caso Carrinho/BFA deixa de ser uma mera reestruturação corporativa e passa a figurar como um estudo de caso sobre como a alta engenharia financeira local consegue contornar o Estado, asfixiar a economia interna e alimentar contas secretas além-mar.O Makamavulo News continuará a seguir a rota internacional destas Unidades de Participação e as entidades offshore que delas beneficiam.

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