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Luanda 15:12

“Completamente surpreendido”, primeiro-ministro lamenta não ter sido informado sobre planos de ataque neonazi à sua casa

“Completamente surpreendido”, primeiro-ministro lamenta não ter sido informado sobre planos de ataque neonazi à sua casa

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, lamentou esta sexta-feira não ter sido informado pelas autoridades sobre alegados planos do grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano (MAL) contra a sua residência, afirmando ter tomado conhecimento da situação através das notícias divulgadas enquanto participava numa reunião do Conselho Europeu.”Quanto a esse assunto, aquilo que eu posso transmitir-vos é que fui ontem [quinta-feira] completamente surpreendido por essa notícia [quando] estava num contexto de reunião [do Conselho Europeu], em que nem sequer estava contactável, e lamento profundamente que uma questão que coloca em causa a segurança de um cidadão, no caso o primeiro-ministro e a sua família – mas podia ser aplicável a qualquer português -, não tivesse sido partilhada com os próprios”, declarou, citado pela Agência Lusa.O chefe do Governo acrescentou que a forma como a informação chegou à sua família tornou a situação ainda mais delicada.”Posso até confidenciar que foi extremamente delicado que a minha família, nomeadamente a minha mulher e os meus filhos, tivesse tido essa notícia da forma igualmente surpreendente e sem poderem falar inclusivamente comigo, mas isto não é exclusivo do primeiro-ministro e de mim próprio e da minha família, é de qualquer cidadão português”, vincou.Acusação do Ministério Público inclui crimes de terrorismoAs declarações surgem após ter sido conhecida a acusação do Ministério Público no âmbito da investigação ao Movimento Armilar Lusitano, uma organização de extrema-direita desmantelada pela Polícia Judiciária em 2025, noticiada pelo Expresso esta quinta-feira. Nove arguidos, entre os quais um chefe da PSP que se encontrava em comissão de serviço na Polícia Municipal de Lisboa, são acusados de crimes relacionados com terrorismo, tendo o Ministério Público concluído que o grupo planeava ações contra responsáveis políticos, partidos, jornalistas, académicos e outras figuras públicas.De acordo com a acusação, os dirigentes do MAL elaboraram uma denominada “lista dos indesejáveis”, composta por cerca de 40 políticos e mais de 80 personalidades públicas aqui reveladas. O documento serviria para planear “ações futuras” contra indivíduos e instituições que a organização considerava “uma ameaça direta aos interesses nacionais e esfera de interesses do MAL”.Figuras públicas sob ameaçaEntre os principais alvos figurava Luís Montenegro, identificado pelo grupo como “monstro negro”. A lista incluía ainda nomes como António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa, Aníbal Cavaco Silva, Luís Marques Mendes, Francisco Pinto Balsemão e Carlos Moedas. Também constavam partidos, associações ligadas à imigração e ao combate ao racismo – um íder neonazi acedeu aos arquivos municipais para obter as plantas do SOS Racismo e da Mesquita do Martim Moniz – , jornalistas, sociólogos e humoristas.O Movimento Armilar Lusitano foi fundado em 2018 e, segundo as autoridades, mantinha ligações a grupos extremistas estrangeiros. A operação policial que levou ao seu desmantelamento permitiu apreender dezenas de armas de fogo, incluindo armas produzidas com recurso a tecnologia de impressão 3D, bem como material utilizado para treino paramilitar.

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