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Luanda 09:26

Antiga PCA do FADA mantém controlo da instituição um mês depois de assumir liderança da IGAE

Antiga PCA do FADA mantém controlo da instituição um mês depois de assumir liderança da IGAE

A ex-presidente do Conselho de Administração (PCA) do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), Felisbela Francisco, nomeada há mais de um mês para o cargo de inspectora-geral da Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE), continua a exercer funções de PCA no FADA, apurou o Valor Económico junto da instituição. O jurista Serra Bangu considera que a situação é uma “incompatibilidade grosseira” e uma “usurpação de competências”.

A gestora mantém-se activamente na liderança da organização. Na prática, qualquer documento oficial ou expediente dirigido à direcção do FADA deve, ainda nesta data, ser endereçado em nome de Felisbela Francisco, que continua a despachar na qualidade de “número um” do fundo agrícola. 
Embora tenha tomado posse no dia 29 de Maio, numa cerimónia orientada pelo Presidente da República no Palácio Presidencial, a porta-voz do FADA, Amélia Escórcio, defende que os actos praticados pela actual inspectora-geral da Administração do Estado, Felisbela Francisco, são legítimos, na medida em que a responsável do fundo de apoio ainda não foi exonerada. “Portanto, há assuntos correntes que a lei assim permite. Relativamente a outras informações que têm algum peso e que podem criar conflitos de interesses, uma vez que ela está numa outra posição, ela, por acaso, tem-se resguardado delas”, justifica Amélia Escórcio. 
A porta-voz garante que Felisbela Francisco ainda não está desvinculada do FADA, por isso responde por lei pela instituição, embora naqueles assuntos que a comprometem, tendo em conta as novas responsabilidades, remete ao grupo de administradores para o devido tratamento. 
O jurista Serra Bangu considera o exercício de funções nas duas instituições um acto incompatível, depois de Felisbela Francisco ter sido nomeada e tomado posse na Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE), colocando em risco o princípio da transparência. “Há aqui uma incompatibilidade grosseira, há uma usurpação de competências que se pode notar aqui, usurpação de poderes também. Portanto, como é que uma pessoa vai ser fiscal de si própria?”, questiona Serra Bangu, para quem a acção se classifica como um vício grosseiro que tem de ser terminado de uma vez por todas. 
Serra Bangu teme que esse acto abra outros cenários como o tráfico de influência, em que Felisbela Francisco deixe passar muitas situações irregulares. 
Recentemente, um grupo de funcionários do FADA denunciou, nas redes sociais e através de uma carta aberta, alegadas irregularidades na gestão da instituição e apelou à intervenção das autoridades competentes para garantir a transparência no processo de transição da liderança do organismo. Na carta, dirigida ao Presidente da República, os subscritores denunciam alegadas interferências de Felisbela Francisco. De acordo com os signatários, a responsável continua a influenciar decisões internas da instituição, apesar de ter sido nomeada para outras funções públicas 

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