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Luanda 14:55

Fracasso na Gestão Pública Deixa Governo Angolano Fora do Plano de 45 Mil Milhões de Dólares do Homem Mais Rico de África

Fracasso na Gestão Pública Deixa Governo Angolano Fora do Plano de 45 Mil Milhões de Dólares do Homem Mais Rico de África

Luanda – O bilionário nigeriano Aliko Dangote, amplamente reconhecido como o homem mais rico do continente africano e pioneiro da revolução industrial na região, anunciou um plano monumental de investimento que injetará 45 mil milhões de dólares em mais de uma dezena de países africanos. Contudo, a ausência de Angola na lista de destinos selecionados pelo magnata gerou um forte sinal de alerta e acendeu o debate sobre a real atratividade e segurança jurídica do ambiente de negócios angolano.A decisão de Dangote baseou-se em critérios puramente macroeconómicos, privilegiando nações que apresentam as melhores taxas de crescimento, estabilidade institucional e oportunidades industriais a curto e médio prazo. Entre os países escolhidos figuram economias de forte tração regional como a Etiópia, Quénia, Tanzânia, Ruanda, Egito, Argélia, Gana, Costa do Marfim e Guiné.O Contraste entre a “Diplomacia de Fachada” e a Realidade EconómicaEspecialistas e analistas independentes apontam que o afastamento de grandes investidores expõe uma contradição gritante na estratégia do executivo angolano. Nos últimos anos, Angola gastou milhões de dólares em eventos de grande visibilidade e em relações públicas de alto nível. O país acolheu visitas institucionais de peso — como a do Presidente norte-americano Joe Biden e a do Papa Francisco — e investiu verbas avassaladoras (estimadas em 12 milhões de euros) para trazer figuras globais como o futebolista Lionel Messi ou o ator Will Smith para fins promocionais. Adicionalmente, Luanda sediou eventos de prestígio internacional, como a Cimeira de Negócios EUA-África.No entanto, críticos acentuam que este esforço de projeção externa funciona como uma “política de entretenimento” que falha em camuflar os problemas estruturais de governação. A fuga ou desinteresse de titãs industriais como Dangote demonstra que a comunidade internacional percebe o país como um ambiente economicamente instável, marcado pela falta de confiança mútua e por um “capitalismo de compadrio” focado apenas nos interesses de elites ligadas ao poder político.Sufoco Fiscal e o Colapso das Empresas NacionaisEnquanto o país falha em atrair capital estrangeiro de grande escala, o tecido empresarial local enfrenta uma pressão sem precedentes por parte das próprias instituições do Estado. A Administração Geral Tributária (AGT) tem sido alvo de contestação devido a medidas consideradas asfixiantes, tais como a suspensão massiva de NIFs que colocou em risco mais de 50 mil empresas nacionais num momento de profunda recessão e elevado desemprego juvenil.Para além do peso burocrático e fiscal, escândalos de corrupção interna — incluindo denúncias de desvios financeiros na ordem dos 33 mil milhões de kwanzas e tentativas de fraude que atingem os mil milhões de kwanzas na própria AGT — agravam a perceção de risco. O impacto disto na economia real é visível através de reestruturações drásticas no setor financeiro, como o encerramento de dezenas de balcões e despedimentos em massa efetuados por instituições como o Banco Sol, e anúncios de grandes contribuintes que ponderam desinvestir no país por alegada falta de proteção jurídica.”A geopolítica é um jogo de xadrez, não de damas. Se a economia estivesse realmente a ir de vento em popa como dizem as propagandas oficiais, os gigantes industriais estariam a disputar espaço para entrar em Angola, e não a fugir.”Com o custo de vida a colocar o país entre os mais elevados da região e alertas internacionais — como os do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, sobre a vulnerabilidade da dívida angolana perante crises externas —, o recado do mercado é claro: para reter investimento e reverter o desemprego, Angola precisa de construir um ambiente de negócios genuinamente transparente e favorável à iniciativa privada, abandonando as aparências em prol de reformas estruturais sérias.O empresário nigeriano Aliko Dangote, considerado em 2025 o homem mais rico da África, acumula uma fortuna estimada em mais de US$ 25 bilhões, segundo a Forbes. Sua trajetória é símbolo do potencial econômico do continente africano e da ascensão de lideranças negras que estão moldando um novo cenário de poder e influência global.Nascido em Kano, Nigéria, em 1957, Dangote começou pequeno: ainda jovem, vendia doces e mercadorias locais. Em 1977, fundou a Dangote Group com um empréstimo familiar e, ao longo das décadas, transformou o negócio em um império industrial. Hoje, o conglomerado atua em setores estratégicos, cimento, açúcar, sal, farinha, fertilizantes e petróleo e é responsável por milhares de empregos em todo o continente. Mais do que acumular riqueza, Dangote se tornou símbolo de liderança africana e desenvolvimento sustentável, com a Dangote Foundation financiando projetos em educação, saúde e combate à pobreza.A história de Dangote dialoga com a de outras figuras negras que estão reconfigurando o mapa da riqueza global. Entre elas, destaca-se o também nigeriano Abdul Samad Rabiu, fundador do BUA Group, cuja fortuna ultrapassa US$ 8 bilhões e tem forte presença nos setores de cimento, açúcar e alimentos, segmentos similares aos explorados por Dangote, mas com uma visão voltada à inovação e sustentabilidade.

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