JOÃO LOURENÇO ALERTA PARA “COLAPSO GLOBAL” E ATACA INTERVENÇÕES MILITARES NA CIMEIRA DA OEACP
Malabo, 28 de março de 2026 — O Presidente da República de Angola, João Lourenço, lançou um forte alerta sobre o estado atual do mundo, afirmando que a economia global está à beira de uma recessão profunda e criticando duramente as intervenções militares promovidas por grandes potências internacionais.O discurso foi proferido durante a 11.ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), realizada na cidade de Malabo, na Guiné Equatorial. Mundo em crise e risco de colapsoJoão Lourenço afirmou que o mundo enfrenta uma combinação perigosa de crises — incluindo conflitos armados, instabilidade energética, insegurança alimentar e alterações climáticas — que estão a empurrar a economia global para uma situação crítica.Segundo o chefe de Estado, sectores estratégicos como o transporte marítimo, a aviação, o turismo e o comércio internacional encontram-se sob forte pressão, com cadeias logísticas à beira da ruptura. “O mundo transformou-se numa selva”Num dos momentos mais marcantes do discurso, o Presidente angolano criticou o atual sistema internacional, afirmando que este funciona como uma “selva”, onde potências globais recorrem a justificações frágeis para legitimar intervenções militares.João Lourenço denunciou o uso do chamado “ataque preventivo”, referindo-se a conflitos como os do Iraque e do Irão, como exemplos de ações que violam o Direito Internacional. Recursos estratégicos no centro dos conflitosO Presidente destacou que a disputa por recursos naturais — como petróleo, gás e minerais críticos — continua a estar na base de muitos conflitos atuais, comparando essa realidade com as motivações históricas do colonialismo.Para Lourenço, apesar das mudanças no discurso político global, os interesses de controlo e exploração de riquezas mantêm-se inalterados no século XXI. Balanço do mandato de Angola na OEACPAo encerrar o seu mandato como Presidente em exercício da organização, João Lourenço destacou avanços importantes, incluindo:A assinatura do Acordo de Samoa com a União EuropeiaO reforço da cooperação internacionalReformas institucionais internasA aposta estratégica na juventudeO chefe de Estado sublinhou a transição de um modelo de cooperação assistencial para uma parceria estratégica entre regiões. Apelo ao fim das guerrasJoão Lourenço apelou ao fim imediato dos conflitos armados em várias regiões do mundo, incluindo África, Europa e Médio Oriente, defendendo uma ação conjunta das 79 nações da OEACP.“O mundo não suporta por muito mais tempo o agravamento das crises”, alertou, sublinhando a necessidade de reforçar o multilateralismo e a cooperação internacional. Transição de liderançaDurante a cimeira, João Lourenço passou oficialmente a presidência rotativa da OEACP ao Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, manifestando confiança na continuidade das reformas e na consolidação da organização.ContextoO discurso surge num momento de crescente tensão geopolítica global, marcado por conflitos internacionais, disputas por recursos energéticos e desafios económicos estruturais.A intervenção de João Lourenço reforça o posicionamento de Angola e da OEACP como vozes ativas na defesa de um novo equilíbrio internacional.
Redação | Agita NewsJornalismo Político e Investigativo