O presidente do PAICV, Francisco Carvalho, declarou na madrugada desta segunda-feira, 18, que o seu partido venceu as eleições legislativas em Cabo Verde com maioria absoluta, garantindo que todas as promessas feitas durante a campanha eleitoral serão cumpridas.
Na primeira intervenção pública após o encerramento da contagem provisória, Francisco Carvalho agradeceu aos cabo-verdianos pela “vitória clara” atribuída ao PAICV, afirmando que o resultado ultrapassou as expectativas iniciais que apontavam para uma maioria relativa.
Durante o discurso, o líder do PAICV denunciou alegadas práticas de compra de votos por parte do MpD e do Governo, acusando-os de utilizarem cestas básicas e outros mecanismos para influenciar o eleitorado. Carvalho criticou ainda a atuação da Procuradoria-Geral da República e da Comissão Nacional de Eleições, alegando falta de intervenção perante as denúncias.
O presidente do PAICV apontou igualmente críticas à Caixa Económica de Cabo Verde, acusando a instituição bancária de facilitar alegadas operações de condicionamento eleitoral ao manter agências abertas durante o sábado que antecedeu a votação.
Outra instituição visada foi o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), acusado por Francisco Carvalho de divulgar dados económicos e de emprego que, segundo afirmou, “não refletem a verdadeira realidade do país”.
No plano político, o líder vencedor reiterou a intenção de promover uma revisão da Constituição da República, defendendo um “relançamento do funcionamento da democracia” em Cabo Verde. Carvalho afirmou que pretende abrir um diálogo “franco e transparente” com todas as forças políticas e parceiros internacionais.
Entre as principais promessas reafirmadas pelo futuro chefe do Governo estão o ensino gratuito, saúde gratuita e um sistema de transportes mais eficiente e acessível para a população.
Até ao fecho desta edição, os resultados provisórios indicavam o PAICV com 46,6% dos votos e 33 deputados eleitos, contra 43,7% e 30 deputados do MpD. A UCID surgia na terceira posição com 5,2% e dois deputados eleitos.
Com sete mandatos ainda por atribuir, o PAICV aguardava a confirmação de pelo menos 37 assentos parlamentares para assegurar oficialmente a maioria absoluta e governar sem necessidade de coligação.