Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, fez mais uma das suas peças de propaganda aumentando as suas décadas de falhanços estruturais.
A recente assinatura de um Memorando de Entendimento entre Angola e o Brasil, realizada em Brasília, apresenta-se oficialmente como um “avanço estratégico” e um “eixo central de transformação”. No entanto, para quem vive a dura realidade das províncias angolanas, o documento rubricado pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, soa a mais uma peça de propaganda que tenta ocultar décadas de falhanços estruturais e investimentos sem retorno para a população.
1. O Contraste entre o Papel e a Realidade
Enquanto o comunicado oficial exalta a “resiliência dos sistemas eléctricos” e a “aceleração da transição energética”, o quotidiano do povo angolano continua marcado pela insuportabilidade. Desde a era pós-independência, o setor enfrenta uma crise crónica que paralisou a indústria e degrada a qualidade de vida das famílias. O intercâmbio com o programa brasileiro “Luz para Todos” é mencionado com entusiasmo em Brasília, mas omite-se o facto de que, em Angola, o acesso básico à eletricidade continua a ser um privilégio de poucos e uma miragem distante para a maioria dos cidadãos.
2. A Gestão e a Falta de Renovação
Um dos pontos mais críticos desta análise é a longevidade inexplicável de João Baptista Borges no cargo. No poder há cerca de 15 anos, o ministro sobrevive a sucessivas e graves denúncias de crimes de desvios de fundos e má gestão orçamental. Onde a propaganda estatal tenta vender “liderança estratégica”, os factos sugerem uma estagnação que beneficia elites instaladas em detrimento da infraestrutura nacional. De que servem novos acordos científicos e tecnológicos se a gestão dos recursos é corroída por práticas que impedem o investimento de chegar à ponta final — o candeeiro e a tomada do cidadão comum?
3. A Veracidade dos Dados: O Valor que falta ao Setor
Aplicando o rigor da análise de dados e os princípios de transparência, percebe-se que o “Valor” — um dos pilares que deveria mover o setor elétrico moderno — não está a ser entregue à sociedade. Bilhões de dólares foram canalizados para este setor ao longo dos anos, mas a Veracidade dos resultados é questionável quando os apagões continuam a ser a norma e não a exceção. A modernização institucional prometida neste novo memorando esbarra numa cultura de opacidade e impunidade que este jornal continuará a denunciar.