LUANDA – A página oficial da Procuradoria-Geral da República (PGR) no Facebook tornou-se o mais recente campo de batalha da indignação popular em Angola. Após a emissão de uma nota de imprensa confirmando a reabertura de processos criminais contra o General Higino Carneiro — por alegados crimes de peculato e burla qualificada enquanto gestor público — milhares de cidadãos “invadiram” a plataforma para condenar o que classificam como uma “justiça de conveniência”.
Justiça ou Perseguição Política?
A reação do público foi imediata e severa. Entre centenas de comentários analisados, a palavra de ordem é a instrumentalização. Internautas questionam abertamente o timing da reabertura de um processo que estava arquivado desde 2020, precisamente no momento em que Higino Carneiro se posiciona como um forte candidato à liderança do MPLA no congresso de dezembro.
- Seletividade Institucional: Cidadãos perguntam por que razão processos mais antigos e mediáticos, como o de Manuel Vicente, permanecem estagnados, enquanto outros ganham “velocidade mediática” apenas quando incomodam o poder instituído.
- A “Mão” do Executivo: Muitos comentários acusam a PGR de ser uma “marioneta” sob orientação superior de João Lourenço, servindo para “limpar o caminho” de adversários internos.
O Sistema Sob Suspeita
A revolta digital sublinha uma crise de confiança profunda nas instituições do Estado. Para muitos angolanos, o uso do Direito para fins de combate político está a transformar a própria Constituição numa “quimera”.
“A justiça deve ser um instrumento de equilíbrio social e defesa da legalidade, nunca uma ferramenta de conveniência política. Quando processos arquivados ressurgem apenas nas vésperas de congressos partidários, cria-se a perceção de banditismo político”, escreveu um internauta numa das publicações mais partilhadas.
Análise do Investigador Digital
A auditoria técnica aos comentários revela que o sentimento de injustiça é transversal. Cidadãos alertam que esta prática de “mover processos nas vésperas das eleições do MPLA” é uma jogada desesperada que acaba por desacreditar não apenas os visados, mas todo o edifício judicial angolano. Ao tentar fragilizar Higino Carneiro através de notificações judiciais, o regime de João Lourenço parece ter conseguido o efeito contrário junto da opinião pública: transformar o General num alvo de solidariedade perante o que muitos consideram ser um “trabalho sujo e péssimo” de um órgão refém do poder político.
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