A Amnésia de Kangamba: O Facto que a Retórica não Apaga
A recente entrevista do general na reforma Bento dos Santos Kangamba ao programa “A Última Palavra” apresenta-se como um exercício sofisticado de revisionismo histórico, mas tropeça numa fragilidade central: a colisão direta com factos públicos registados em 2020.
Ao procurar retratar-se como vítima de um “sistema paralelo” e ao reduzir a relevância dos valores apreendidos na sua detenção no Cunene, Kangamba não confronta apenas decisões judiciais — desafia também a memória coletiva de um país atento.
A Fabulação dos Valores
Kangamba afirma agora que transportava apenas cerca de 900 mil kwanzas, quantia apresentada como modesta e irrelevante.
Contradição Jurídica
Se o montante fosse insignificante, por que razão o caso mobilizou instituições e aparato estatal?
O silêncio posterior sobre o destino desses fundos levanta questões que a entrevista não respondeu.
Conclusão
A entrevista na Rádio MFM funcionou mais como reposicionamento público do que esclarecimento factual.
Bento Kangamba pode ter procurado dominar os microfones, mas a verdade raramente desaparece por conveniência narrativa.
Antonio Garcia é jornalista de investigação, certificado pela AFP e Google News Initiative em verificação de factos.