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Luanda 22:19

A Justiça angolana intensifica a pressão sobre Ricardo Leitão Machado

A Justiça angolana intensifica a pressão sobre Ricardo Leitão Machado, empresário português de 47 anos que construiu uma fortuna avaliada em 450 milhões de euros em grande parte à custa de contratos milionários celebrados com o Estado angolano, e que desde então nunca mais voltou a Luanda.O Governo angolano contratou a empresa Aenergy, detida por Ricardo Leitão Machado, para o fornecimento e operação de 13 centrais eléctricas em território nacional, com financiamento da GE Capital, o braço financeiro da General Electric, num valor total de 940 milhões de euros. O negócio foi celebrado durante o período final do mandato do Presidente José Eduardo dos Santos e permitiu ao empresário português acumular uma fortuna considerável, com a empresa a facturar o equivalente a 420 milhões de euros e a empregar quase 500 trabalhadores.Com a chegada de João Lourenço ao poder e o início de uma nova era política em Angola, as relações entre Luanda e a Aenergy deterioraram-se rapidamente. O Governo angolano acusou a empresa de irregularidades graves na gestão do contrato, nomeadamente a tentativa de vender em duplicado quatro turbinas adicionais sem autorização válida. Para Luanda, tratou-se de uma fraude clara contra o Estado angolano.Perante o agravamento da situação, Ricardo Leitão Machado viajou para Portugal e nunca mais regressou a Angola. O empresário, que é cunhado do ministro da Presidência português, António Leitão Amaro, alega ser vítima de perseguição judicial e trava uma longa batalha jurídica contra o Estado angolano.A determinação das autoridades angolanas em responsabilizar o empresário é clara. A Procuradoria-Geral da República de Angola enviou duas cartas rogatórias às autoridades judiciais portuguesas, solicitando informações detalhadas sobre os negócios realizados pela Aenergy em solo angolano. As diligências decorridas esta semana em Portugal são o resultado directo dessa cooperação judicial entre os dois países.

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