BPC entre Lutas Internas e Conflitos de Interesses
Passados quase uma semana desde o alegado afastamento do PCA do Banco de Poupança e Crédito (BPC), Cláudio Pinheiro, pelo Conselho de Administração por suposta caducidade de mandato, fontes ligadas ao processo afirmam que o gestor continua a lutar pela sua permanência no cargo, num cenário marcado por fortes tensões internas e acusações de violação das normas do Código do Governo Societário do Banco Nacional de Angola (BNA), nomeadamente a Lei n.º 3/2026.
Segundo informações postas a circular nos bastidores do banco, Cláudio Pinheiro contará com o alegado apoio do Ministro de Estado para Coordenação Económica, José de Lima Massano, com quem mantém relações de amizade desde o período em que este liderava o Banco Nacional de Angola.
Acusações de má gestão e conflitos internos
Entre as principais críticas apontadas à atual gestão estão os sucessivos adiamentos da implementação do novo core bancário, considerado um dos projetos mais importantes para modernização tecnológica da instituição financeira.
Fontes internas acusam igualmente Cláudio Pinheiro de conceder poderes excessivos ao Director do Capital Humano, Gunther Costa, apontado como responsável por alegadas perseguições contra quadros seniores e estratégicos do banco.
Entre os casos mencionados surge o nome do jurista Carlos Cabaça, descrito por funcionários como um dos quadros mais experientes da instituição.
Salários e alegadas desigualdades internas
As denúncias indicam ainda um crescimento significativo dos custos com diretores e cargos de chefia. Segundo os relatos, os salários de alguns diretores terão passado de cerca de 3.500.000 kz para 5.000.000 kz mensais, enquanto técnicos administrativos continuam a receber remunerações próximas de 160 mil kwanzas.
Trabalhadores afirmam enfrentar uma realidade marcada pela perda do poder de compra e pela ausência de aumentos salariais há mais de três anos.
Contratações externas e alegados conflitos de interesse
Outro ponto sensível envolve alegadas contratações externas realizadas sem observância rigorosa dos pareceres das áreas de controlo interno, nomeadamente Compliance, Auditoria e Jurídico.
O nome de Walter Salgueiro é igualmente citado em meio às denúncias, sendo apontado por funcionários como uma figura influente dentro da estrutura administrativa do banco.
As reclamações estendem-se também à Direção de Risco, onde surgem alegações de conflito de interesse relacionadas com contratações efetuadas sob liderança da directora Tânia Agostinho.
Acusações sobre concentração de poderes
Funcionários acusam ainda Cláudio Pinheiro de interferir diretamente em áreas de gestão corrente atribuídas ao PCE Luzolo de Carvalho, gerando um ambiente de tensão dentro da administração.
O PCA é igualmente referido como presidente das empresas participadas AMUSE e Fénix, situação que, segundo críticos internos, levanta questionamentos sobre acumulação de funções e benefícios financeiros.
Apelo às autoridades
Face ao clima de instabilidade, funcionários apelam à intervenção do Banco Nacional de Angola (BNA), da Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE) e do Tribunal de Contas, defendendo investigações profundas às denúncias apresentadas.
Os trabalhadores afirmam que o objetivo é restaurar o ambiente de respeito, justiça e estabilidade dentro do banco, em benefício dos mais de 3 mil colaboradores da instituição.
Nota Editorial: As alegações apresentadas nesta reportagem refletem denúncias e informações atribuídas a fontes internas e deverão ser objeto de averiguação pelas entidades competentes.