Casal saarauí detido há mais de três meses no aeroporto de Guarulhos denuncia violação de direitos humanos
O jovem casal saarauí Mohamed Bouchana, de 32 anos, e Ibtissam Wiklandour, de 29, permanece retido desde 27 de janeiro na área restrita do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em condições descritas como extremamente precárias.
Apesar de terem solicitado refúgio e obtido uma decisão liminar da Justiça Federal que impede a deportação imediata, o casal continua detido.
Acusação e controvérsia internacional
A permanência dos dois no aeroporto está associada a um alerta vermelho da Interpol, que, segundo os próprios envolvidos e apoiantes, teria origem numa denúncia contestada atribuída ao governo de Marrocos.
O casal afirma ser alvo de perseguição política devido à sua ligação com a causa da autodeterminação do povo saarauí.
Denúncias de violação de direitos humanos
A denúncia foi feita por Monica Fonseca Severo, do Comitê de Solidariedade ao Povo Saarauí, que acompanha o caso e relata agravamento do estado físico e emocional dos jovens.
Segundo a professora, a situação de confinamento prolongado já provocou crises nervosas, febre e outros sintomas associados ao stress extremo.
Questões legais e diplomáticas
Especialistas apontam que o estatuto da Interpol proíbe intervenções de natureza política, o que levanta dúvidas sobre a legitimidade do alerta emitido.
O caso também levanta questionamentos sobre o papel das autoridades brasileiras diante de uma decisão judicial já favorável ao casal.
Organizações de solidariedade questionam se o Brasil irá manter a sua tradição de acolhimento ou se cederá a pressões externas.