Cresce o descontentamento no seio da Marinha de Guerra Angolana (MGA). Fontes internas apontam o dedo ao Almirante Valentim, acusando-o de estar a prejudicar gravemente a progressão na carreira de centenas de militares, particularmente na Classe de Fuzileiros Navais. O apelo que circula nos corredores do ramo é claro: a necessidade urgente da sua passagem à reforma ainda este ano.
O “Gargalo” nas Promoções
O cenário descrito por militares que preferem o anonimato — por receio de represálias — é de estagnação. Existem praças com 10 a 14 anos de serviço efetivo que nunca viram a cor de uma promoção.
“Estamos a falar de homens e mulheres que dão a vida pela pátria e que continuam no mesmo escalão há mais de uma década. O Almirante Valentim parece estar a matar o sonho de uma geração de militares,” afirma uma das fontes.
Licenciados Sem Reconhecimento
O que torna a situação ainda mais crítica é o elevado nível académico de muitos destes “eternos praças”. No grupo dos fuzileiros navais que aguardam promoção, encontram-se:
- Numerosos licenciados em diversas áreas do saber.
- Estudantes do ensino superior que investem na sua formação pessoal para melhor servir a instituição.
Apesar da competência técnica e académica, o “passador” (a promoção) não chega. As denúncias indicam que, enquanto a tropa de base estagna, as oportunidades parecem ser direcionadas por critérios de proximidade e nepotismo, em detrimento do mérito e do tempo de casa.
Apelo à Reforma Urgente
A insatisfação não é apenas pela falta de progressão, mas pelo sentimento de que a liderança atual está desconectada da realidade das tropas. O sentimento geral é que a saída do Almirante Valentim para a reforma é a única via para desbloquear as vacaturas e permitir que novos quadros assumam responsabilidades e cargos condizentes com a sua formação.
“A Marinha não pode ser um lugar onde o mérito é ignorado para beneficiar apenas alguns. Precisamos de renovação e de justiça para quem está na linha da frente há 14 anos,” conclui o relato enviado à nossa redação.
Nota do Editor: O espaço continua aberto para que o comando da Marinha de Guerra ou o visado possam apresentar o seu contraditório sobre estas alegações.