Resort Carpe Diem mantém letreiro “pagamento só com cartão” apesar de já aceitar kwanzas
O resort Carpe Diem, localizado em Cabo-Ledo, na província de Icolo e Bengo, terá abandonado o antigo procedimento de exigir pagamentos exclusivamente por cartão, passando agora a aceitar também pagamentos em dinheiro em kwanzas.
A mudança ocorre uma semana depois de uma denúncia pública sobre o caso. Na altura, clientes relataram que eram obrigados a pagar consumos apenas através de cartão multicaixa ou outros meios digitais.
Esta semana, dois repórteres deslocaram-se ao local para verificar a situação. Após um almoço no restaurante do resort, que incluiu arroz de mariscos avaliado em cerca de 40 mil kwanzas para duas pessoas, chegou o momento de efetuar o pagamento.
Inicialmente, um funcionário apresentou o terminal de pagamento automático (TPA). Contudo, quando os jornalistas informaram que possuíam apenas dinheiro em mãos, o funcionário consultou a gerência e regressou com a confirmação de que pagamentos em numerário já eram aceites.
Justificação apresentada pelo resort
Segundo o responsável, a decisão anterior de aceitar apenas pagamentos por cartão estaria relacionada com problemas internos envolvendo funcionários que não apresentavam as contas corretas.
De acordo com Gilberto Costa, alguns trabalhadores ficavam com o dinheiro recebido dos clientes, situação que levou a gestão a optar temporariamente pelo pagamento exclusivamente eletrónico como forma de controlo.
Apesar da alteração na política de pagamento, o letreiro colocado à entrada do restaurante continua a indicar que os pagamentos devem ser feitos apenas por cartão.
Possível violação da legislação
Especialistas lembram que recusar pagamentos em moeda nacional pode levantar questões legais. Em Angola, o kwanza é a moeda oficial e deve ser aceite em transações comerciais.
Segundo analistas económicos, a rejeição do dinheiro físico pode ser considerada uma prática irregular, especialmente quando envolve serviços prestados ao público.
Queixas e investigação
Fontes locais indicam que uma participação sobre o caso terá sido apresentada às autoridades. O processo estaria a ser analisado pelos serviços de investigação criminal na província de Icolo e Bengo.
Entretanto, funcionários de estabelecimentos da região também relataram irregularidades laborais em alguns restaurantes da zona, incluindo salários abaixo do mínimo e ausência de contribuições para a segurança social.
Até ao momento, o resort Carpe Diem mantém o aviso de “pagamento só com cartão” na entrada do restaurante, apesar de afirmar que já aceita pagamentos em dinheiro.