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Luanda 14:54

São Vicente terá servido como testa-de-ferro “e deu golpe aos outros” ficando com tudo

São Vicente terá servido como testa-de-ferro "e deu golpe aos outros" ficando com tudo

Ao longo dos anos, a AAA Seguros, responsável directa pelo monopólio dos contratos de seguro das operações petrolíferas no país, sofreu várias transformações na sua estrutura accionista.Informações dão conta de que, a 14 de Janeiro de 2005, o então PCA da Sonangol, Manuel Domingos Vicente, cedeu 70 por cento das acções na AAA Serviços Financeiros à offshore AAA (Angola) Investors, que tinha como mandatário o conhecido advogado, José Fernando Faria de Bastos.A 11 de Junho de 2009, São Vicente aumentou a confusão, criando a AAA Activos Lda., integralmente detida por si. Em seguida, menos de um ano, a 13 de Abril de 2010, registou-se a alteração da estrutura accionista da AAA Activos. A AAA Internacional, registada nas Bermudas e, nessa altura, propriedade exclusiva de São Vicente, assumiu o controlo total da AAA Activos, com uma quota de 99,91 por cento.Ao cabo de dois anos, a AAA Activos tornou-se detentora de 88 por cento do capital da AAA Seguros, enquanto a Sonangol se contentou com 10 por cento e outros dois por cento foram divididos por Carlos Manuel de São Vicente e a AAA Pensões. Foi assim que o “polvo” se tornou, como diriam os portugueses, o dono disto tudo: as (três) AAA.Em Outubro de 2012, Carlos São Vicente, como proprietário único da AAA Activos, passou a integrar a estrutura accionista do Standard Bank em Angola, com 49 por cento do capital, após ter participado do aumento de capital, para 100 milhões de dólares, da referida instituição financeira.O Standar Bank, da África do Sul, é o maior banco em África. Esta é uma participação hiperqualificada e que mereceu incompreensivelmente autorização do BNA, sem que se tivesse questionado a proveniência de fundos de um gestor de uma empresa que detinha capitais públicos.O Standard Bank Group, da África do Sul, é o accionista maioritário, sendo proprietário de 51 por cento. Essa estrutura accionista mantém-se até à data, conforme os relatórios e contas do Standard Bank.De forma enganosa, o Relatório de Gestão e Contas da Sonangol de 2013 refere que a participação da petrolífera na AAA havia caído para 30 por cento. No ano seguinte, a petrolífera retirou à AAA a gestão do Plano de Pensões de Sonangol e confiou-o à novel Sonangol Vida, que ainda não tinha iniciado actividade. Nos relatórios anuais seguintes, a Sonangol omite a sua participação na AAA.Estas várias modificações da estrutura accionista não revelam quanto lucrou a Sonangol com a venda da sua participação. Uma informação que também não se encontra nos relatórios dos auditores é a que diz respeito aos valores encaixados pelas vendas dessas acções.Como adiante se explicará, a AAA Seguros tinha acumulado, nas suas contas, perto de 500 milhões de dólares. Como compreender a decisão da Sonangol em ceder, praticamente de borla e a um ex-funcionário seu, as suas acções numa empresa com tanto dinheiro?Há alguns dias, segundo órgãos de comunicação em Angola, o ex-presidente José Eduardo dos Santos, se manifestou alegadamente “chocado”, pelo facto de o Grupo AAA pertencer exclusivamente a São Vicente. Julgava este, que o mesmo continuava a ser controlado pela Sonangol.Nalguns dados que Angola24Horas teve acesso, fontes fidedignas explicam ao Maka Angola que bem no início, São Vicente deveria ter servido também como testa-de-ferro para outras figuras, mas “terá dado o golpe aos outros e ficado com tudo”.De referir que, São Vicente já manifestou publicamente, através do Novo Jornal, o seu silêncio sobre o caso. “Neste momento, não posso fazer declarações porque o processo está em curso e há que respeitar o segredo de justiça e o segredo bancário”, respondeu através de um correio.AO24

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