O balanço económico da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) relativo ao exercício de 2025 expõe uma contradição financeira alarmante que coloca a gestão do Presidente do Conselho de Administração (PCA), Paulino Jerónimo, sob forte escrutínio público e político. Num ano em que o mercado petrolífero e a escala da atividade permitiram um crescimento histórico das receitas, a incapacidade da liderança em reverter esse cenário em rentabilidade resultou numa queda abrupta e injustificável de 69,24% nos lucros da concessionária nacional.
O Paradoxo da Ineficiência: Vender Mais, Reter Menos
Os defensores da atual gestão apressam-se a celebrar o aumento expressivo das vendas, que dispararam de AOA 83,38 mil milhões em 2024 para AOA 218,60 mil milhões em 2025 — um salto de 162,16%. No entanto, para os analistas e para o tribunal da opinião pública, estes números apenas agravam a culpa da administração.
Como é possível que uma instituição que viu o seu volume de negócios crescer a essa escala tenha permitido que o resultado líquido desabasse de AOA 839,02 mil milhões (US$ 919,98 milhões) em 2024 para uns magros AOA 258,12 mil milhões (US$ 282,94 milhões) em 2025? Esta perda destrutiva de quase 70% da rentabilidade num ambiente de receitas em alta é o reflexo de uma gritante falha de gestão operacional e estratégica no topo da ANPG.
Desconfiança da Auditoria Independente e Opacidade no Balanço
A responsabilidade da liderança de Paulino Jerónimo torna-se ainda mais grave diante do veredicto dos auditores independentes da PricewaterhouseCoopers (PwC). A reputada consultora internacional recusou-se a dar um aval limpo às contas da agência, emitindo uma opinião com reserva sobre as demonstrações financeiras de 2025.
Uma análise minuciosa ao balanço patrimonial ajuda a decifrar as áreas de sombra que justificam o sinal de alerta da PwC e a derrocada dos lucros:
- A Explosão Misteriosa dos “Outros Activos Financeiros”: Sob a tutela da atual administração, esta rubrica registou um aumento inexplicável e impressionante de 802,43%, passando a concentrar AOA 6,67 biliões (US$ 7,31 mil milhões). É inadmissível que quase metade de todo o ativo da ANPG (44,74%) esteja retido nesta linha do balanço, numa manobra de alocação de recursos que levanta sérias dúvidas sobre a eficiência da aplicação dos fundos públicos.
- Descontrolo nas Contas a Receber: Os créditos sobre terceiros dispararam 52,68%, atingindo os AOA 4,24 biliões. Isto significa que 28,46% do património da agência está “preso” em dívidas não cobradas de terceiros, expondo uma gritante incompetência na gestão de cobranças e de tesouraria.
O Abismo das Provisões e o Peso do Passivo
Se o ativo está paralisado em rubricas questionáveis, o passivo da ANPG sob esta liderança aumentou para AOA 10,19 biliões (subida de 17,74%). O principal responsável pelo estrangulamento dos lucros líquidos foi o crescimento desmesurado da rubrica de provisões para riscos e encargos, que atingiu uns colossais AOA 8,76 biliões, engolindo 86,02% de todo o passivo da instituição.
A necessidade de reter uma fatia tão gigantesca de capital para cobrir potenciais riscos, contingências e encargos futuros é o atestado definitivo de que a liderança falhou em criar um ambiente operacional seguro, transparente e imune a sobressaltos financeiros.
Conclusão: O Relatório e Contas de 2025 da ANPG deixa claro que a perda de 69% dos lucros não se deveu à falta de mercado ou de oportunidades, mas sim às decisões tomadas no palácio da administração. Ao falhar em traduzir um aumento de 162% nas receitas em benefício real para o Estado angolano, e ao acumular reservas por parte dos auditores da PwC, o PCA Paulino Jerónimo assume a responsabilidade direta por um dos anos mais contraditórios e prejudiciais à reputação financeira da concessionária nacional.