Luanda – Num desabafo contundente transmitido no espaço “Sem Filtro”, o apresentador da Pungo a Ndongo TV confrontou os telespectadores com uma realidade classificada por si como “lamentável” e um “atentado à saúde de todos os angolanos”. A intervenção centrou-se nas imagens de um transporte de cadáver realizado a céu aberto, na caixa de uma carrinha de caixa aberta, sob o olhar de cidadãos e em pleno trânsito congestionado.
Condições desumanas sob escrutínio público
“Angolanos, como é? Tranquilo? Quando estou na área, vocês sabem que tem novidades”, começou por saudar o comunicador, antes de introduzir o tema com consternação. “Infelizmente, mais uma vez, serei o portador de uma informação triste. Lamentável.”
Direccionando a atenção do público para o registo visual exibido no ecrã, o apresentador sublinhou o impacto deste tipo de incidentes na comunidade. “Comportamentos como estes põem em risco a saúde pública. Olhem para esta situação. Isso é um atentado à saúde de todos os angolanos. Meus irmãos, não se pode transportar cadáver deste jeito, em condições desumanas, debaixo de um sol frenético e, para piorar, o trânsito está congestionado. Meu Deus!”
A realidade das periferias e o quotidiano dos cidadãos
O discurso ganhou um tom de proximidade e identificação com as franjas mais vulneráveis da sociedade angolana, comummente expostas a estas debilidades estruturais. “Vamos pedir aos órgãos afins que dêem o devido tratamento a situações como estas. Porque quem é angolano, quem vive na banda, quem vive nas periferias, quem vive no ghetto como eu, sabe que situações como estas acontecem todos os dias, a olhos nus. Ninguém pode dizer que desconhece essa realidade. Absolutamente ninguém pode dizer isso. E, como nós dizemos na gíria, isto é o nosso pão de cada dia. Lamentavelmente.”
Exigência de responsabilidade às instituições e apelo à demissão
Face ao cenário descrito, o jornalista dirigiu um apelo directo e firme às principais entidades responsáveis pela gestão sanitária, territorial e de segurança no país, instando-as a actuar com prontidão ou a abdicar dos seus cargos por incapacidade.
“Pedimos ao Ministério da Saúde, aos Governos Provinciais, à Polícia Nacional e, principalmente, ao INEMA: meus senhores, esta imagem demonstra, esta imagem denuncia a vossa fraca actuação. Vocês precisam melhorar. Vocês precisam atender com a devida urgência sempre que forem chamados. Porque vocês existem para dar respostas a situações como estas. Ainda que a gente pague ou alguma coisa parecida, só não podemos continuar assim. Precisamos urgentemente reverter este quadro. Não podemos continuar a pôr a saúde do povo angolano em risco, meu Deus!”
A intervenção encerrou com um desafio directo aos visados na denúncia administrativa:
“Então, meus senhores, isso é para vocês: se não estão a conseguir exercer os cargos pelos quais foram nomeados — não sei se é por incapacidade ou por incompetência, não sei —, aqui vai um convite: por favor, ponham os referidos cargos à disposição. Porque não podemos continuar a pôr a saúde do povo angolano em risco. E agora, podem mesmo dizer que fui comprado, porque é isso que vocês falam. Mas vocês sabem que a verdade nos une e nos liberta. E aqui, nós falamos sem filtros.”