Zaire: Diretor do Gabinete do Governador Provincial reside em Portugal enquanto mantém funções no Governo Provincial
Mbanza Kongo – O Governo Provincial do Zaire, liderado por Adriano Mendes de Carvalho, está no centro de uma nova polémica de desorganização administrativa. O jurista José Vilhena, que exerce o cargo de Director do Gabinete do Governador desde 2026 (ano da sua nomeação), está a ser acusado de não comparecer regularmente ao trabalho na província, continuando, ainda assim, a auferir salários dos cofres do Estado.
De acordo com dados apurados pela NSISA Reflexões, ,José Vilhena ter-se-á radicado em Portugal com a sua família. Suspeita-se que o responsável exerça funções noutra instituição no exterior, mantendo o vínculo e a remuneração em Angola sem a contrapartida do trabalho presencial.
Aparições estratégicas e alegadas redes de influência
Fontes internas do palácio provincial revelam que o director do gabinete adopta um padrão de absentismo intermitente, surgindo em Mbanza Kongo apenas em momentos cirúrgicos:
- Visitas de Estado: Durante deslocações de delegações de alto nível, incluindo ministros, deputados, o Vice-Presidente ou o Presidente da República.
- Gestão Financeira: Coincidindo com a libertação de quotas financeiras atribuídas ao Zaire pelo Ministério das Finanças e a liquidação de ordens de saque a empresas supostamente associadas a esquemas de favorecimento e corrupção governamental.
Na ausência prolongada do titular, o expediente diário e as responsabilidades administrativas do gabinete têm sido integralmente assumidos pela Directora-adjunta, Mintania Nascimento.
Revolta e desconforto nos corredores do funcionalismo
A situação está a gerar uma onda de indignação e revolta entre os funcionários públicos da província, que apontam o caso como um exemplo de tratamento preferencial e assimetria de exigência.
“Enquanto nós somos severamente proibidos de faltar, há quem não trabalhe e aufira o salário integralmente. Com base em que folha de efectividade ou horas trabalhadas se processa este vencimento?”, questiona um dos trabalhadores sob anonimato.
A contestação interna estende-se directamente à figura do governador Adriano Mendes de Carvalho. Os funcionários acusam o governante de proteccionismo, complacência e de cometer um acto de “incompetência e irresponsabilidade administrativa” ao consentir o desordenamento e a violação das normas que regem a administração pública angolana.